No interior de Minas Gerais, em meio à poeira da obra, capacetes e pranchetas, Suellen vivia um daqueles momentos que marcam a vida: sua primeira obra como arquiteta. Tudo ainda era novo, intenso… e talvez por isso, tudo parecia um pouco mais emocionante também.
Foi então que Daniel apareceu — o cliente que iria fiscalizar a obra. Mas, ao que tudo indicava, ele acabou fiscalizando bem mais do que paredes e acabamentos.
Em um certo momento, ele a chamou até o container dele, dizendo que precisava tirar uma dúvida. Suellen foi, toda concentrada, achando que era algo importante da obra. E era… mais ou menos.
Depois de alguns segundos, entre perguntas que talvez nem fossem tão urgentes assim, ele soltou:
— Você sabe se tem algum bar por aqui perto?
A pergunta era simples. A resposta também poderia ser. Mas não foi.
Suellen, que já conhecia muito bem os barzinhos da região (inclusive já tinha ido em alguns), simplesmente travou. O coração acelerou, o raciocínio sumiu… e ela respondeu:
— Não… não conheço.
Mentira.
Segundos depois, sem conseguir sustentar a própria atuação digna de Oscar, ela virou as costas e praticamente saiu correndo do container, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.
“Ele me chamou pra sair?”
“Ou só queria saber de um bar mesmo?”
“Por que eu falei que não conhecia?!”
Enquanto isso, Daniel provavelmente só queria… um bar. Ou talvez não.
Mas o destino, que adora uma boa comédia romântica, resolveu dar uma ajudinha.
Semanas depois, no coquetel de inauguração, os dois se encontraram novamente. Dessa vez, sem fuga, sem roteiro improvisado e, felizmente, sem mentiras sobre bares.
Entre risadas e conversas, algo começou ali.
Uma história que nasceu de um “não conheço nenhum bar”…
…mas que, no fundo, já estava brindando desde o primeiro encontro.